segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Sou interacionista?

Estamos vivendo em uma era, a qual mudou a história do tempo, do espaço, das identidades e do mundo. O conhecimento vem acelerado, o homem busca acompanhar o crescimento de tal forma que possa agir e interagir em todas as esferas.
        O homem através dos tempos dominou o mundo, passou da emoção para a razão, deixou de ser um elemento da natureza e passou a dominá-la, colocando-a a serviço dele mesmo, atribuindo-lhe a explicação de tudo, deixou de ser místico e tornou-se séptico. Evoluiu através do conhecimento, buscou o progresso da tecnologia e tornou-se um tecnocrata, desvendou mistérios, revelou a causa de doenças e de forma linear descobriu a cura, mas isso não o tornou um ser mais feliz e realizado. As grandes conquistas não proporcionaram ao homem realizações pessoais e sim o desejo de buscar cada vez mais o seu lugar no espaço.
        Sobretudo e, apesar de ser tecnicista o homem é um ser humanista, por natureza, é isso que o diferencia dos outros animais, o homem é um ser social que precisa da interação com o outro, é através das relações intra e interpessoais que ele se realiza e se humaniza.
        Em meio a toda evolução da espécie humana o homem vem buscando a autocompreensão, vencendo limites, derrubando barreiras, procurando conhecer a si mesmo para poder compreender o outro.
        É nesta concepção humanista que o profissional docente se insere, pois a educação deve estar voltada para a formação integral do indivíduo, nem só o lado técnico, nem só o lado humano, mas um indivíduo capaz de ser sujeito e não apenas objeto dentro da práxis educativa.
        Para acompanhar este mundo em constante transformação os professores devem estar preocupados com sua formação continuada para que a educação não fique estagnada no tempo. O profissional docente de hoje não é o mesmo de ontem e deve ter o cuidado para não ser o mesmo amanhã. É necessário estar sempre se atualizando para poder acompanhar o ritmo do conhecimento que está cada vez mais acelerado. Nesse processo deve haver interação entre os sujeitos envolvidos.
        Pensando nisso me coloco como um ser interacionista, pois acredito que o professor, sem dúvida nenhuma, é o guia que mostra aos seus alunos um caminho a seguir. Sabemos que sua figura está aí para indicar o caminho, mas não para impor-lhes o caminho, já que a escolha é de livre arbítrio. É pela postura do professor, pela sua atuação, pela sua prática pedagógica que ele poderá ajudar na formação do seu aluno. É o fazer bem, ou o fazer por fazer que fará a diferença na formação deste.
        Quando se fala em interação do professor se pensa em todo um conjunto de regras e normas, muitas vezes impostas pela sociedade, mas não se pode esquecer da dignidade humana, da realização pessoal, da felicidade. Quando o professor passa ao aluno estes sentimentos, as regras morais passam a fazer parte de um contexto que leva a pessoa a buscar um crescimento interior e este é o verdadeiro caminho que todos querem seguir.
        Ao bom professor há os melhores alunos, pois a melhor aprendizagem se dá na troca de experiências e na interação professor e aluno, bem como na interação aluno e professor, onde todas as experiências são valorizadas e, na relação que estes têm com o mundo.
        É fácil ser interacionista quando colocamos nossos valores e valorizamos o outro, quando sentimos que é na interação que crescemos e proporcionamos ao outro crescer, quando aprendemos não só pela teoria e prática, mas acima de tudo pela troca de experiências.

Pedagogia Queer

        Nas últimas décadas o mundo tem passado por uma grande transformação em todas as áreas e uma das grandes dificuldades que encontra hoje o educador é estar aberto ao novo sem romper com o antigo, as empresas passaram a conviver com níveis sem precedentes de turbulência que forçaram a transformar-se continuamente. Nesse contexto, as organizações são compelidas a adaptar-se e evoluir progressivamente, seus membros precisam, para acompanhar essas mudanças, adquirir novas habilidades e competências, em resposta a busca da competividade e da sobrevivência, e por consequência a pedagogia deve evoluir na mesma proporção. Os novos desafios que norteiam a Política Educacional devem considerar na condução de uma sociedade em que todos os bens materiais e culturais estejam disponíveis para todos os cidadãos.
        A pedagogia atual leva a pensar que o ato pedagógico consiste não em transmitir, mas em criar condições para que o educando descubra por si mesmo e construa seu próprio conhecimento, oportunizando a este que se autoposicione diante da vida como uma forma de participar do conhecimento e dos valores conquistados pela humanidade, os quais nos permitem a viver em sociedade. O comportamento esperado do educador deve estar voltado para o conhecimento cognitivo e comportamental que permitam ao cidadão a capacidade para lidar com incertezas, substituindo a regidez pela flexibilidade e rapidez. O educador terá que estar voltado para uma visão de continuidade, buscando ampliar os horizontes dos educandos.
        Com isto, a pedagogia é chamada a rever seus currículos e sua didática, a assumir novas tarefas em função de novas competências, de maneira que possa contribuir para a formação integral do sujeito. A atividade pedagógica deve propiciar ao indivíduo ser sujeito participante ativo na construção de sua identidade, com autonomia nas trocas de experiências, situando-se no tempo e espaço de sua história e de seu contexto social.
        A escola moderna é co-responsável pela comunidade e deve partcipar na construção de valores comunitários implementando projetos de responsabilidade social. Deve estimular a criatividade em todos os sentidos, saber usar as novas tecnologias, antever as mudanças para saber como lidar com elas, pois estamos na era do conhecimento e da informação, nada pode ser estangue.
        O desafio é manter e ampliar à qualidade do ensino, novas metodologias, que venham motivar e qualificar os educandos, buscar parcerias, como forma de gerir e sustentar a competitividade e sobrevivência num mundo de constante mudanças.
        Estudos indicam que o comportamento humano é uma fonte de vantagem competitiva, crítica e contínua e que a contribuição de recursos humanos em conhecimento, habilidades, atitudes, valores fazem parte fundamental do processo pedagógico.
        Sem os educadores as sociedades tornam-se acéfalas. Baseando-se que a competência é a capacidade de integrar conhecimentos diversos para concentrá-los na realização de tarefas, permite-se dizer que a pedagogia deve considerar a natureza evolutiva, pois o educador continua sendo relevante no papel de desenvolver recursos humanos, oportunizando condições ao educando de enfrentar novos desafios e obter resultados presentes e futuros.
        A Pedagogia Queer deve buscar uma ação global e generalizada, onde sejam trabalhados e estudados todas as áreas do ser humano em todos os seus aspectos cognitivos, sócio afetivo e psicomotores, com a necessária flexibilidade. A escola deve buscar a inclusão dos excluídos, valorizar suas experiências sociais e culturais e assegurar-lhes condições necessárias para sua permanência na mesma, oferecendo uma escola mais atraente e evolutiva, na tentativa de diminuir a distância entre ricos e pobres e tornar a sociedade mais justa e igualitária.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Another Brinck In The Wall - Pink Floyd

http://www.youtube.com/watch?v=RV21F2KZUvc

Os estudos culturais


Os estudos culturais tiveram origem em 1964 na Universidade de Birmingham, questionando a compreensão de cultura dominante na crítica literário britânica. Inicialmente, a cultura era privilégio de um grupo restrito de pessoas, sendo cultura e democracia inversamente proporcionais.
Para Raymond Willians em Culture and Society a cultura deveria ser entendida como o modo de vida global de uma sociedade. Já Richard Hoggart, em seu livro The use os literacy essa definição ampliar-se-ia para a cultura popular, como livros populares, tabloides, rádio, televisão.
Os esforços iniciais do Centro concentravam-se nos estudos das “subculturas” tendo como livros mais importantes: Resistance throgh rituals touth subcultures in post-war Britain, sobre as culturas juvenis britânicas e, Subculture: the meaning of style, por Dick Hebdige. Dessa forma, o Centro passou a se preocupar também com a influência da mídia.
O Centro adotará referências marxistas bem como interpretações contemporâneas do mesmo, como a de Althusser e de Gramsci. Nos anos 80, cede-se lugar ao pós-estruturalismo de autores como Foucault e Derrida.
Duas tendências passam a dividir o Centro: as pesquisas de terreno, sobretudo etnográficas, dando ênfase às “subculturas urbanas” e, as interpretações textuais reservadas para a análise de programas de televisão, refletindo assim as origens disciplinares dos Estudos Culturais: a Sociologia e os Estudos Literários.
Os Estudos Culturais se diversificaram em vários países, enquanto algumas perspectivas continuam marxistas, outras dotam versões pós-estruturalistas. Da mesma forma, há uma versão centrada nas questões de gênero, de raça e de sexualidade.
Primeiramente, os Estudos Culturais concentram-se na análise da cultura compreendida, tal como na conceptualização de Raymond Willians como experiência vivida de um grupo social. Além disso, a cultura é, em certa medida, independente de outras esferas que poderiam ser consideradas determinantes na vida social. Sendo assim, a cultura é um campo onde se define não apenas a forma que o mundo deve ter, mas também a forma como as pessoas e os grupos devem ser, ou seja, é um jogo de poder.
Os Estudos Culturais se distinguem das disciplinas acadêmicas tradicionais pelo seu envolvimento político, visto que, as análises feitas nos Estudos Culturais nunca são neutras, tomando partido dos grupos em desvantagens, intervindo na vida política e social. Eles permitem-nos conceber o currículo como um campo de luta em torno da identidade, podendo ver assim, o conhecimento e o currículo como campos culturais sujeitos à disputa e à interpretação. Desse modo, a “instituição” do currículo é uma invenção social como qualquer outra e o “conteúdo” do currículo é uma construção social.
O pós-estruturalismo faz uma análise do currículo baseada nos Estudos Culturais enfatizando o papel da linguagem e do discurso nesse processo de construção, adotando uma concepção menos estrutural de poder. Já uma perspectiva culturalista procura descrever diversas formas de conhecimento do currículo como resultado de um processo de construção social, buscando focalizar as diversas formas de conhecimento como “epistemologias sociais”, sendo o conhecimento um processo de interpretação social. Assim, ambos os tipos de conhecimento estão envolvidos numa economia do afeto que busca produzir certo tipo de subjetividade e identidade social.
A influência dos Estudos Culturais na elaboração de políticas de currículo e no currículo do cotidiano das salas de aula é mínima, visto que, o conhecimento é um objeto pré-existente e a pedagogia e o currículo consistem simplesmente em revelá-lo.
Uma das consequências da “virada culturalista” na teoralização curricular foi à diminuição das fronteiras entre o conhecimento acadêmico escolar e o conhecimento cotidiano. Ao mesmo tempo em que a cultura em geral é vista como uma pedagogia, a pedagogia é vista como uma forma cultural, podendo comparar assim, os processos escolares aos processos de sistemas culturais extra-escolares, como os programas de televisão ou as exposições de museus.
As instituições e instâncias culturais mais amplas também têm um currículo, mas não em um sentido explícito, tampouco em um oculto, transmitindo uma variedade de formas de conhecimento que são vitais na formação da identidade. Do ponto de vista pedagógico trata-se de formação e de entretenimento que influenciarão no comportamento das pessoas de maneiras cruciais. Entretanto, estes diferem da pedagogia e do currículo escolares, apresentando-se, ao contrário destes, de uma forma irresistível, mobilizando uma economia afetiva que é mais eficaz.
Autores como, Roger Simon, Henry Giroux, Joe Kincheloe e Shirley Steinberg, inauguram aquilo que se poderia chamar de “crítica cultural do currículo”. Henry Giroux se volta para a análise da pedagogia da mídia, como os filmes produzidos pela Disney, por exemplo, problematizando a inocência das produções culturais da mesma. Joe Kincheloe analisa as peças publicitárias do McDonald’s flagrando representações que celebram os valores conservadores de uma suposta família tradicional americana. Shirley Steinberg analisa os valores morais contidos na boneca Barbie, chamando de “kindercultura” a indústria cultural voltada para o público infantil.
O que caracteriza a cena social e cultural contemporânea é precisamente o apagamento das fronteiras entre instituições e esferas anteriormente consideradas como distintas, sendo essa a permeabilidade enfatizada pelos Estudos Culturais, vendo tanto a indústria cultural quanto o currículo escolar como artefatos culturais, tornando a crítica curricular também cultural.